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O crime compensa no Brasil?

Por: Luiz Pereira - May 10, 2015, 6:35 pm
A Petrobras passou de da Forbes. (EconomiaPersonal)
A Petrobras, uma empresa top 10 na Forbes em 2012 é hoje a empresa número 416. (EconomiaPersonal)

EnglishEspañolOs governos petistas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff ampliaram os benefícios para as populações de baixa renda criados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o que garantiu grande popularidade tanto a um quanto à outra. Atravessaram períodos em que a economia mundial crescia a olhos vistos e não aproveitaram as marés.

Ao invés de investirem na infraestrutura necessária ao desenvolvimento econômico do país optaram pelo populismo e expandiram o Programa Bolsa Família para diversas áreas, conquistando uma base de apoio da população mais carente mas errando na política macroeconômica com a aposta exclusiva na via do consumo. O consumo interno destravou a inflação que se uniu com crescimentos pífios do PIB e impactou a todos, inclusive os mais carentes que têm dificuldade de manter seu nível de consumo, sem mencionar os que perderam seus empregos em face à crise econômica que o país está vivendo, particularmente em 2015.

A população brasileira está estarrecida com o maior escândalo da república, o Petrolão, cujas denúncias envolvem o recebimento de propinas, superfaturamento de obras, compra de ativos superfaturados no exterior, resultando em desvios de dinheiro público para financiamento de campanhas eleitorais dos partidos PT (que governa o país), PMDB e PP (parte integrante da base de sustentação parlamentar do governo).

O Juiz Sérgio Moro da Justiça Federal, juntamente com o Ministério Público e a Polícia Federal, através da chamada Operação Lava Jato, descobriu os doleiros e operadores que atuaram como facilitadores do enorme e bem montado processo de desvio de dinheiro público na Petrobras. Ao longo das investigações conseguiu prender preventivamente os principais executivos das empresas do cartel que, foram liberados para prisão domiciliar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos dias.

As consequências até aqui são que a Petrobrás com um prejuízo de R$6.2 bilhões com corrupção, ex maior empresa brasileira e que já foi uma empresa top 10 na Forbes em 2012 é hoje a empresa número 416 no mesmo ranking da Forbes.

A indignação das pessoas é com a falta de seriedade na gestão do dinheiro público. O país tem uma carga tributária elevadíssima sem nenhuma contrapartida eficiente em termos de saúde, transporte, educação, segurança ou infraestrutura. E, finalmente, mostrou sua insatisfação organizando as maiores passeatas da história da república reunindo em torno de 2 milhões de pessoas no país inteiro no último dia 15 de Março de 2015 para exigir o impeachment da presidente Dilma e do PT, apenas 75 dias após a posse da presidente para o segundo mandato.

O governo (surpreendido com a quantidade de pessoas que foi às ruas) convocou uma entrevista coletiva para que dois ministros tentassem desqualificar as manifestações, alegando ocorrerem apenas nos Estados onde o governo perdeu as eleições presidenciais (a eleição foi ganha por mínima margem de votos e dividiu o país ao meio). Imediatamente as pessoas iniciaram um panelaço batendo em suas panelas nas janelas de suas casas e apartamentos em todo o país demonstrando, pela 2ª vez no mesmo dia, seu enorme descontentamento com o governo Dilma e com o PT.

No dia 12 de Abril de 2015 a segunda rodada das manifestações populares apartidárias contou com menos pessoas mas, ainda assim, reuniu em torno de 700.000 pessoas em todo o país.

Os brasileiros estão cansados porque os escândalos de corrupção se multiplicam. Começaram com o Mensalão, nas palavras do juiz Celso de Mello do STF, um projeto criminoso de poder”. Em 2005 o partido do governo envolveu-se nesse escândalo, que findou com os principais líderes do PT julgados e condenados pela Corte Suprema do país. Todos acompanharam o caso e perceberam as diferenças e dificuldades que se apresentaram, a partir dos próprios juízes, para que o processo chegasse ao fim.

E, em boa parte, percebem o aparelhamento de todas as instituições democráticas, infiltrando pessoas na imprensa, na internet, na justiça, em todos os meios que possam influenciar a população para criar uma fotografia única e generosa de seu partido e suas conquistas. Funcionou até 2014. Agora não está mais funcionando. O resultado prático é o de sempre: quando um governo é fraco, o preço da composição política aumenta.

No dia 1º de Maio tradicionalmente os presidentes costumam fazer pronunciamentos. A presidente, talvez temendo outro panelaço, não falou à nação. O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB), declarou ser ridículo o silêncio da presidente e o credita à falta do que dizer aos trabalhadores brasileiros.

Em 5 de Maio de 2015 o partido do governo fez um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão e o que se viu foi um novo panelaço, enquanto o ex-presidente Lula discursava. No dia 6 de Maio, o congresso aprovou com a maioria governista pacotes que reduzem os benefícios aos trabalhadores como seguro desemprego, abono salarial e auxílio doença, traindo os seus compromissos de campanha eleitoral e os próprios trabalhadores.

O artigo 1º da Constituição Federal de 1988 diz que o poder emana do povo e em seu nome será exercido. Os brasileiros querem Justiça e o fim da impunidade.