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Taxistas hostilizam libertários em debate público sobre Uber

Por: Contribuyente - Ago 31, 2015, 11:45 am

EnglishEspañolPor Bernardo Vidigal

Na quinta-feira, 28 de Agosto, aconteceu um debate público sobre o Uber na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Seguindo o que já foi feito em São Paulo e em Vitória, representantes dos Estudantes Pela Liberdade estiveram presentes e debateram a questão da Liberdade dos Transportes no debate.

Muitas vezes foi necessário que a Polícia Legislativa interviesse para garantir a nossa segurança
Foi necessário que a Polícia Legislativa interviesse para garantir a segurança dos estudantes. (EPL)

Nós, representantes do EPL, chegamos cedo e desde o início fomos hostilizados pelos taxistas. Não foram todos, muitos taxistas tentavam a todo tempo acalmar os colegas mais exaltados, mas isso não foi o suficiente. Muitas vezes foi necessário que a Polícia Legislativa interviesse para garantir a nossa segurança. Ao final, até mesmo tivemos que ser escoltados para fora da Assembléia pela porta de trás.

Frente a aproximadamente 400 taxistas, éramos um grupo de vinte pessoas em defesa da liberdade de escolha: 11 representantes do EPL e mais 9 pessoas de organizações parceiras.

A Conselheira Executiva dos Estudantes Pela Liberdade, Thaiz Batista, falou no microfone expressando suas ideias e defendendo a liberdade nos transportes, citando o exemplo de outros aplicativos como o Whatsapp que foram disruptivos em seus mercados e que sofreram também tentativas de seus concorrentes de serem proibidos.

Uber não vai matar os taxis

Sabemos que é totalmente compreensível ser contra o Uber. Pelo menos até entender de verdade o que o Uber representa. O mundo está mudando – e rápido. A uberização da economia é uma realidade e já assustou outros mercados. O Airbnb assusta os hotéis, o Netflix assusta a mídia e o Whatsapp assusta as empresas de telefonia celular. Mas da mesma forma que o rádio não matou o jornal, a televisão não matou o rádio e a internet não matou a televisão, a economia uberizada não vai matar os taxis, os hotéis, a mídia ou as empresas de telefonia. Só vai mudá-los.

O problema é que mudar é sempre assustador. Significa novos hábitos, novas pessoas e novas tendências, mas quando se trata de inovação, mudar é sempre positivo. O Uber não vai acabar com os taxis de Belo Horizonte, por uma série de motivos. Primeiro, o Uber nem sempre compete com os taxis diretamente . Segundo, o Uber não atende a todo o mercado. Terceiro, os taxistas tenderão a melhorar o serviço para competir com o Uber, ganhando parte de seu mercado de volta.

Existem várias evidências de que o Uber nem sempre compete diretamente com os taxis. O Uber Black, por exemplo, é mais caro que o serviço de taxi. Isso indica que alguns consumidores decidiram pagar mais para usar um serviço de transporte. Essa faixa de consumidor com certeza não representa a maioria da população, essas são pessoas que já tem smartphones e não ligam em pagar mais caro para andar pela cidade, muitas vezes abandonando seus carros nas garagens para usar o Uber, ou seja, são consumidores que nem sempre prefeririam usar um taxi a seus carros.

Outro ponto: o Uber não atende todo o mercado. Para se usar o Uber você precisa de um smartphone e menos de 30% dos brasileiros tem um, ou seja, em 70% dos casos, o Uber não vai atender o mercado dos taxis. Claro que esses números disfarçam a realidade, já que em cidades grandes mais pessoas usam smartphones. Contudo, existe ainda mais um fator pra defender essa hipótese: o Uber não é público. Não se é possível sinal e parar um Uber na rua, mal se consegue identificar um Uber na rua. Esse tipo de uso ainda é totalmente deixado aos taxis.

Terceiro e último ponto: competição. Talvez isso seja o mais importante. O que acontece quando uma pessoa nova entra no mercado e rouba seus clientes? Você melhora seu serviço. É natural, quase instintivo. E ao melhorar os serviços, os taxistas também vão ver o que há de mais natural no mundo, novos clientes. É um pequeno desafio, sem dúvida, mas todos ganham com isso no final.

O monopólio não beneficia nem os próprios taxistas

Mas a competição entre o Uber e os taxis é desleal? Talvez. A primeira coisa a ser observada aqui é que taxistas tem uma série de descontos em impostos que os motoristas do Uber não tem, mas isso não conta a história toda. Uma coisa deve ser dita em defesa dos taxistas: o mercado de taxis é extremamente regulado e os taxistas são obrigados a obedecer a uma quantidade enorme de burocracias que criam ineficiências de ponta a ponta em seu mercado.

Eles são impedidos de se diferenciar e vivem no pior dos dois mundos, são agentes privados vivendo sob o monopólio imposto pelo governo municipal. Monopólio tão ineficaz que não gera ganhos nem pros próprios taxistas, já que os preços são fixados e muitas licenças de taxis pertencem a um número pequeno de pessoas, concentrando o pouco de lucro que os taxistas tem.

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A questão é que a solução não é impor ao Uber as regulações ineficazes que oprimem os taxistas. O que o Uber provou é que indivíduos conseguem livremente escolher o serviço de sua preferência. Os motoristas do Uber livremente escolhem se vincular à empresa e os usuários livremente escolhem usar o serviço. E o Uber nem sequer é a única empresa fazendo isso, em outras países já existem outras empresas que oferecem o mesmo serviço e existem rumores de que até o Google tenha planos de entrar nesse mercado.

Infelizmente, as conversas não foram produtivas. A maioria presente se recusava até mesmo a escutar pontos de vista diferentes, chegando a virar de costas no momento em que a responsável por Relações Governamentais do Uber se manifestou. Além disso, os taxistas presentes se esforçaram para que nossa voz não fosse escutada, vaiando e fazendo barulho enquanto nós estávamos sendo entrevistados, nos xingando e nos ameaçando.

A luta, entretanto, não deve ser contra o Uber, mas sim contra a ineficiência. Quem impede os taxistas de inovarem e competirem é a regulação ineficaz. Logo debate não deve ser a favor de mais regulações ruins, mas sim a favor de menos regulações ruins. Com menos interferência, o mercado de taxis vai poder crescer e competir, beneficiando não apenas o consumidor, como os taxistas também.

Bernardo Vidigal is the Brazilian programs associate with Students for Liberty. Follow him @BernardoVidigal